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15 de Outubro
sexta-feira
a temperatura agradável permite que os habitantes de Hogwarts andem com roupas leves. Durante o dia o céu é claro e bonito, fazendo com que os jardins fiquem lotados por alunos em busca de um banho de sol. A noite o céu é estrelado e há um grande movimento de alunos em direção a Hogsmeade por causa de uma festa que o diretor permitiu a presença destes.
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- aula de aritmancia para o 7° ano
- aula de poções para o 6° ano
- festa no Pub MixysBars, em Hogsmeade




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03/09 | Estufas de Herbologia - noite

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03/09 | Estufas de Herbologia - noite

Mensagem por Stephan Monaghan em Sex Dez 10, 2010 9:44 pm

Rave.

1. (v. i.) [...] to be wild, furious, or raging, as a madman.
[...]
6. (v. i.) To rush wildly or furiously.


De acordo com o dicionário, a idéia parecia boa. Stephan nem se lembrava ao certo como o convite havia chegado às suas mãos, era uma situação daquelas em que a notícia corre de uma pessoa para a outra, sem ninguém saber de onde ela veio originalmente. Tudo o que ele sabia é que aconteceria uma festa "Rave" na noite de 02 de Setembro e que ele estava convidado.

Seph jamais havia estado em uma festa "Rave", e nem sabia bem o que isso era. Mas o vocábulo não poderia mentir. Tudo indicava uma reunião de pessoas capazes de demonstrar fúria, tomar atitudes extremas e agir de forma que os mais escrupulosos considerariam "loucura". Para Seph, era razoável imaginar que na tal festa Rave encontraria alguns membros da alta sociedade, que se apresentava bastante "selvagem" nos últimos anos, mesmo com a morte do Lorde das Trevas. Talvez Seph até encontrasse alguns dos denominados comensais da morte por lá. Não fazia parte do grupo, obviamente, e nem a sua família. Mas tinha certo interesse naquelas pessoas.

Ocorre que, Seph estava errado. Não era nada disso que uma Rave era, como ele logo descobriu. Chegando ao local, se viu em meio a um inferno que devia ter algo a ver com uma celebração trouxa, cheio de pessoas advindas da ralé da sociedade bruxa. Tudo combinado a uma música estranha e consumo de substâncias entorpecentes, a maioria desconhecida para ele.

Voltar não parecia uma boa opção. Era um péssimo horário para isso. Só restava uma alternativa, conseguir, de alguma forma no meio daquele pardieiro, encontrar companhia. Foi surpreendentemente fácil, e logo Seph estava na companhia de seu novo melhor amigo: o álcool. Por um longo tempo, foram apenas os dois. A festa, aparentemente, não acabaria tão cedo. Stephan já conhecia, finalmente, um talento dos trouxas e sangue ruins: aguentar inúmeras horas de festa.

Até que, em certo ponto, Seph encontrou mais alguém. Sua lembrança vinha em lampejos curtos. Primeiro, enxergou um par de ótimas pernas em um vestido preto curtíssimo. Só depois encontrou o rosto que estava mais para cima, e então seus olhos devem ter se arregalado. Era sua ladra, Evelyn Salt. Seph a agarrou, passando um dos braços por seu ombro e a beijando com toda a vontade, antes mesmo de dizer "oi". Estava completamente bêbado e no meio de um monte de gente desprestigiada, de qualquer forma. Não era como se alguém ali fosse lembrar-se dos fatos e acusá-lo de estar pegando uma cigana grifinória no dia seguinte, na escola. E, pelo pouco que ele lembrava, ela estava deliciosa naquela noite.

Tudo teria terminado mais ou menos assim, sem que ele soubesse o que aconteceu depois, e talvez sem que se importasse. Exceto por um detalhe. Seph havia acordado, no dia seguinte, com um anel. Ele estava então sentado ao lado de uma das estufas de Hogwarts, observando o anel de latão, incrédulo. No metal, gravado de alguma forma, lia-se: "recém-casados". - Droga - exclamou.

Deixou aquilo de lado por um instante, e voltou a se concentrar na sua busca. Seph entendia bem de venenos. E, no momento, ele era a vítima. A ressaca indicava intoxicação por álcool, o que ele pretendia remediar, encontrando alguma planta que lhe fizesse melhorar. Já havia engolido um cogumelo azulado, que havia lhe curado o enjôo. Já era um imenso alívio. Faltava a dor de cabeça. Mas logo encontraria algo, era talentoso em herbologia.

Isso lhe fez voltar para o anel. Esse problema era tão mais complicado. Ele estava casado! E nem sabia com quem, embora tivesse uma boa idéia. Aquela ladra agora havia roubado a sua liberdade. E talvez até seu sobrenome. - Evelyn Monaghan, grifinória, cigana e ladra. Meus pais vão me matar. - concluiu.



Spoiler:
huahuahauauhahu isso foi divertido!
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Re: 03/09 | Estufas de Herbologia - noite

Mensagem por Evelyn Salt em Sab Dez 11, 2010 11:22 pm

" And if I stop for a minute
I think about things I really don't wanna know... "


Não poderia dizer exatamente que horas eram, mas com certeza era bem tarde. Eu não havia jantado, por pura preguiça de descer todas as escadarias necessárias. O que não fazia muito nexo, já que agora eu perambulava pelo exterior da escola, por livre e espontânea vontade, simplesmente porque apesar do gigante cansaço, a dor de cabeça me impossibilitava de dormir.

Bocejei e prometi mentalmente que só iria em outra rave dali a, pelo menos, três anos. Revirei os olhos, incrédula. Era mais do que óbvio que eu não cumpriria aquela promessa. Deixei de lado a linha de racíocinio e comecei a massagear minhas próprias têmporas. Minha cabeça explodia e, para completar, eu estava morrendo de calor. Não era a toa queeu calçava um par de chinelos e vestia um pijama com shorts e blusa de alcinha. Revirei os olhos pela segunda vez, estava mentindo novamente para mim mesma. Não era só por causa do calor que eu vestia aquele pijama, ele era meu favorito e, mesmo em épocas extremamente frias, eu costumava vestí-lo diversas vezes. Só pelo prazer de ver aquele ursinho cor-de-rosa estampado na blusa sorrir para mim. Dei de ombros, era irritante saber que ao invés de estar dormindo eu estava tendo aquele tipo de pensamento.

Passei a mão por meus cabelos enquanto caminhava a esmo e sorri, satisfeita. Não havia um único nó ou grampo que sobrevivera para contar história. Finalmente, após horas de dedicação intensa, eu me via livre deles, com as madeixas novamente bem tratadas e ainda um pouco úmidas. Sem que eu precisasse me esforçar, ainda conseguia sentir o cheiro de morango do meu shampoo. O que, obviamente, eu nem percebia já que outra coisa havia chamado minha atenção naquele momento: a luz das estufas estava acesa.

Eu duvidava muito que o professor Brandon estivesse ali. Sua hora de expediente já deveria ter acabado faz tempo. Além do mais, ele era gato, muito gato (posso até dizer que apesar de odiar Herbologia, a aula dele é uma das que assisto com maior entusiasmo) e sua esposa não deixaria ele ficar longe de casa até tão tarde. Nenhuma mulher é boba a esse ponto. Sendo assim, deveria ser um aluno. E o que traria alguém até tão longe de seu dormitório em plena madrugada? Pois foi essa pergunta que me fez criar um rumo e adentrar as estufas.

A pessoa responsável por minha curiosidade encontrava-se perto das bancadas, como se procurasse algo em meio a todas aquelas plantas que eu considerava idênticas. O corte de cabelo e os ombros largos deixavam a certeza: era um garoto. E, o mais interessante, é que eu o conhecia,muito bem por sinal:
- E de todos os alunos que eu poderia encontrar aqui, é justo você. - Sorri na direção de Seph e acrescentei, fazendo graça: - Acho que o universo está conspirando para a nossa união.

União. A palavra ressoou em minha mente e eu tinha a estranha sensação de que aquilo deveria significar algo para mim. Balancei a cabeça automaticamente, como se assim talvez conseguisse desaparecer com a sensação e voltei a olhar o sonserino, o que foi uma atitude completamente errada. Alguns flashes começaram a aparecer, era como se eu estivesse aos poucos retomando minha memória. Eu via um beijo, na verdade eram vários beijos, entre eu e Seph. Meu sorriso vacilou e meus joelhos afrouxaram, obrigando-me a ficar apoiada na bancada mais próxima se não quisesse cair. Eu estava ficando louca, só podia ser isso. Aqueles beijos nunca tinham acontecido. Eu e Seph nunca tínhamos nos encontrado fora da escola e eu me lembrava de muitas luzes, muitas bebidas, muitos trouxas. Quase como uma rave. Ops... A compreensão foi transparecendo em meu rosto. Era, de fato, uma rave.

Com passos apressados e quase robóticos, cheguei perto de Seph, minhas intenções com ele eram bem diferentes das iniciais. Sem nenhum tipo de pedido ou explicação, agarrei seu punho esquerdo e o ergui a altura de meus olhos. Agora eu me sentia prestes a desmaiar. Brilhando em seu dedo, estava um anel de latão e, infelizmente, eu não precisava nem olhar para saber que dentro dele estava a gravação "recém-casados". A reação foi instintiva, eu levantei minha mão esquerda, mostrando o anel idêntico que estava na minha mão e, em seguida, sem dar tempo dele reagir, o prensei contra a bancada, com um empurrão:
- Eu não acredito que você fez isso comigo! É bom você dar um jeito e resolver isso agora. Está me entendo? - eu começava a gritar: - AGORA!
Nem o sorriso do ursinho estampado em meu pijama favorito amenizaria aquele problema. Eu estava furiosa.
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Re: 03/09 | Estufas de Herbologia - noite

Mensagem por Stephan Monaghan em Dom Dez 12, 2010 4:53 am

Seph tinha a certeza de que estava sendo perseguido. Aquela era a única explicação. Não poderia ser tudo uma enorme coincidência, foi o que lhe veio em mente quando ouviu a voz de Evelyn e se virou na direção dela. Sendo uma ladra, a menina era certamente sorrateira. Só poderia ter seguido Stephan a distância, até aquelas estufas. Nos instantes que teve para pensar, imaginou até que talvez aquilo pudesse explicar toda a situação, incluindo o anel e o casamento. A grifinória só poderia ter armado tudo aquilo.

Os dedos de Seph examinavam o anel na mão oposta no momento em que Evy chegou, falando com tranquilidade e sorrindo. O garoto levantou a cabeça, mas foi o único movimento que fez. Estava meio paralisado com a situação chocante, e até para encontrar o que dizer ele sentia dificuldades. Como ela poderia estar falando daquela forma despreocupada? Certamente porque havia armado tudo, imaginando dar algum golpe do baú no bruxo rico e de boa família. De fato, se pudesse pensar com calma, Seph concluiría que Evy não tinha com o que estar preocupada. Para ela tudo estava indo muito bem.

O garoto finalmente pensou em falar, e começaria um interrogatório sobre o que era toda aquela situação, mas acabou perdendo alguns instantes olhando para o corpo da garota, e reparando no pijama curto que ela usava. Chegou a piscar os olhos, para se concentrar no que precisava dizer, mas era tarde. Evy avançou contra ele, e a primeira impressão de Seph foi que ela o agarraria, como na biblioteca (e ele meio que desejava isso), mas não foi o que aconteceu. Mudando radicalmente de comportamento, a menina empurrou Seph contra a bancada atrás dele e, gritando, começou a tomar satisfações. Já não havia nem traço do sorriso de pouco antes no rosto dela.

Stephan estava atordoado novamente, de forma que ouviu inteiramente o que ela disse. Agora as coisas já não faziam tanto sentido. Era óbvio que ela também estava brava. Ou poderia estar fingindo, ladrões também sabiam ser dissimulados. - Dar um jeito nisso? É CLARO que eu vou ter que dar um jeito nisso! - finalmente o sonserino pareceu "destravar", e passou a responder num tom semelhante ao usado pela menina, embora não chegasse a gritar. - Você me deu um golpe, se aproveitando do meu estado embriagado, numa festinha armada por gente da sua laia, talvez até mesmo com o objetivo de ludibriar bruxos de bem como eu! Encontrou um atalho para subir na vida não é, se casando com alguém como eu? Você deve ter planejado tudo isso desde que percebeu que eu gostei do seu beijo, na biblioteca...foi isso? - agora que havia começado, Seph sentia que não era capaz de parar. - Quando eu disse que você podia "me roubar", nao significa roubar a minha vida inteira, enfiando essa droga de anel no meu dedo! - naquele ponto ele estava a um pequeno passo de gritar. Acostumado a fazer as coisas da forma que queria, sem importar-se com os sentimentos dos outros, Seph não tinha muita consciência de que estava dizendo coisas que poderiam ser consideradas horríveis, caso ele estivesse enganado sobre o que aconteceu. Provavelmente perceberia, depois, que passou da linha. - Então sim, pode ter certeza que eu preciso dar um jeito! Acontece que eu não tenho a MENOR IDÉIA de como fazer isso! - concluiu, um pouco ofegante por ter falado por tanto tempo sem pausar.

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Re: 03/09 | Estufas de Herbologia - noite

Mensagem por Evelyn Salt em Seg Dez 13, 2010 4:38 pm

* I hate everything about you,
Why do I love you? *


Meu mundo havia desabado diante de meus olhos e eu fora incapaz de mudar o rumo da situação. Tudo porque eu estava bêbada demais para me controlar ou apenas para perceber o que estava acontecendo. E, naquele momento, dentro da estufa de herbologia, quando finalmente os acontecimentos da noite passada ficaram claros para mim, tudo o que eu realmente desejava é que o efeito do whisky de fogo ainda não tivesse passado. Muitas vezes estar sóbria, com o perdão da sinceridade, é uma grande porcaria.

Tudo o que eu mais temi minha vida inteira, começava a se concretizar: eu estava presa a alguém. E meu "marido" parecia gostar tanto da ideia quanto eu:
- Dar um jeito nisso? É CLARO que eu vou ter que dar um jeito nisso!
Seu tom de voz era agressivo, mas pelo menos ele parecia disposto a resolver a situação. Mal comecei a respirar aliviada e ele já voltava a dizer:
- Você me deu um golpe, se aproveitando do meu estado embriagado, numa festinha armada por gente da sua laia, talvez até mesmo com o objetivo de ludibriar bruxos de bem como eu!
Como é que é? Para tudo, eu não devia ter escutado direito. Eu armara um golpe? Ah, claro! Até porque faz muito sentido planejar o fim da sua própria vida. É, eu começava a perceber pelo clima da conversa que nossa vida conjugal não seria das mais agradáveis. Eu me aproveitara dele? O que ele se considerava afinal? Uma donzela em perigo? Sorte de Seph eu estar furiosa e perplexa demais para conseguir me mover, senão seria um sonserino a menos para Hogwarts.

Ele estava absorto demais em seus próprios pensamentos para perceber que nada daquilo fazia um pingo de sentido e prosseguia, sem se importar com meu imenso desejo de matá-lo ou pelo menos arrancar seus dedos, um por um, de forma lenta e dolorosa:
- Encontrou um atalho para subir na vida não é, se casando com alguém como eu? Você deve ter planejado tudo isso desde que percebeu que eu gostei do seu beijo, na biblioteca...foi isso?
O que aquele garoto possuía na cabeça? E o que ele esperava que eu respondesse? "Sim, é isso, eu sou uma louca interesseira, que começa a formular planos desde o dia em que beija sua primeira vítima?" Merlin, nada mais fazia sentido e eu continuava calada, como se alguém houvesse lançado um feitiço paralisante em mim:
- Quando eu disse que você podia "me roubar", nao significa roubar a minha vida inteira, enfiando essa droga de anel no meu dedo!
Será que ele não percebia mesmo? Eu nunca tive a intenção de enfiar um anel em seu dedo, mas agora eu não podia mais negar que estava cheia de ideias para onde enfiá-lo se ele continuasse dizendo aquelas idiotices. A raiva dominava cada parte de meu corpo e eu nem percebi quando foi que algumas lágrimas começaram a molhar meu rosto. Pelo jeito ele também não percebeu, ou não se importou, porque continuou:
- Então sim, pode ter certeza que eu preciso dar um jeito! Acontece que eu não tenho a MENOR IDÉIA de como fazer isso!

Meus olhos marejados fixaram-se nos dele e, além da raiva, pela primeira vez na vida, eu sentia-me ofendida:
- Então é isso mesmo que você pensa? - apesar do choro, minha voz saiu firme. Não era uma acusação, era só uma pergunta, eu queria entender o que estava acontecendo na cabeça dele: - Você acha mesmo que eu seria capaz disso? De planejar tudo só para...subir de vida?
Eram as palavras que ele tinha usado e agora eu começara a tremer. Tudo o que eu mais queria era sair correndo dali, mas Seph ainda precisava ouvir mais algumas coisas:
- Eu não sei mesmo como você consegue ser tão hipócrita e detestável, mas é realmente um talento. Eu não sabia que você costumava ir em raves, não fui eu que te achei em meio aquela multidão e, por mais que eu não lembre o que ocorreu em seguida, tenho certeza que também não fui eu quem te pediu em casamento. E, se eu aceitei, foi só porque estava tão bêbada que mal podia me aguentar em pé. Porque ninguém em sã consciencia aceitaria dividir uma vida com você, nem que milhões de galeões estivessem em jogo. Porque você faz questão de fazer todos te odiarem e, o pior de tudo, é que você consegue.
Não, na verdade o pior de tudo, é que não era verdade. Por mais que ele fizesse questão, eu não conseguia odiá-lo.

Mais lágrimas deslizavam por minha pele e eu me sentia enjoada por todas aquelas palavras. Eu queria sumir da frente dele, para não ver sua resção a tudo aquilo, mas encontrava-me incapaz de mover qualquer músculo.
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Re: 03/09 | Estufas de Herbologia - noite

Mensagem por Stephan Monaghan em Ter Dez 14, 2010 5:03 am

O caos estava reinando na vida de alguém que costumava usar regras para seu próprio benefício. Stephan acreditava na ordem, que ela era necessária. Ela mantinha as coisas como elas eram, famílias como a dele no topo da sociedade, os privilégios funcionando e o dinheiro e os recursos nos bolsos mais adequados. Também serviam para manter os insatisfeitos sob controle, evitando rebeldias inconvenientes e a ascenção de pessoas incômodas. Num mundo sem regras, não haveria lógica, e a tendência era que a burrice e ineficiência prevalecessem.

Sua forma de pensar poderia servir para dar uma idéia de como a cabeça do garoto estava naquele momento em que ele, surpreendentemente, havia se reunido com Evelyn. Estava de ressaca, uma muito forte, coisa que não era muito comum em sua vida. E estava casado. Tradicionalista, Seph tinha dificuldades em refutar a idéia de que aquele casamento era para valer, valendo-se apenas do argumento de que usava um anel vagabundo como símbolo do que havia acontecido. E ali estava o maior problema, ele não tinha idéia do que tinha acontecido. Seph não era o tipo de pessoa que teria permitido que alguém lhe enfiasse um anel no dedo sem a sua autorização. Ele só poderia ter concordado. Ainda havia o fato de que ele estava numa festa muito louca, mas não sabia nem mesmo se havia saído dali para outro lugar. E se a pessoa que tivesse celebrado o casamento fosse uma autoridade habilitada? Ele não poderia apenas fingir que não aconteceu se havia a possibilidade de que um registro aparecesse no futuro. O que seus pais diriam? Era muito provável que pudessem providenciar uma anulação, mas esse não era o ponto. Seria um escândalo, certamente jamais na história da família Monaghan um casamento havia sido anulado. Ninguém daquela linhagem era tão irresponsável.

Ele estava perdido. E era apenas uma tendência do seu caráter fazer o que ele fez em seguida. Culpar outra pessoa.Quando parou de ofegar, depois de sua explosão de palavras, Seph já ouvia algum tipo de "alarme" em sua mente. Como se o bom senso fosse capaz de apitar quando alguma atitude era tomada à sua revelia. Mas empatia estava longe de ser o seu forte, ele precisaria de muito mais do que aquilo para compreender nas exatas dimensões os sentimentos de outras pessoas. Estava curioso como uma criança no instante entre o fim do seu desabafo e o início da reação de Evy.

Mas ele congelou no lugar onde estava logo na primeira lágrima. Poderia soar estúpido para a maioria das pessoas, mas ele não sabia que aquilo ia acontecer. Enquanto Evy falava e demonstrava estar ficando cada vez mais nervosa, Seph pensou em interromper, em responder as perguntas. Seria alguma resposta idiota como "então você não armou tudo isso?", que talvez fosse apenas piorar tudo, mas esboçaria um pouco da penosa confusão em que a mente dele se encontrava naquele momento. Agora, ao invés de um alarme, ele já poderia ter ouvido um "clique", indicando que ele havia passado dos limites.

Acabou por continuar ouvindo, não conseguindo recuperar a iniciativa. As críticas que Evy então despejou, no seu próprio desabafo, de alguma forma eram percebidas por Seph como as mais pesadas que já haviam dirigido a ele. Isso vinha de alguém que já havia sido rotulado de assassino.Não havia nenhum outro episódio em que Seph tivesse percebido tão claramente o quanto ele era capaz de ser horrível. Evy continuou, terminando por dizer que sentia ódio de Seph. E então ela também pareceu congelar, parada onde estava e apenas chorando.

Stephan saiu de seu próprio torpor, mas não de uma forma boa. Era como se a sua consciência se abrisse, em algum grau a mais, e ele percebeu para o que estava olhando. O que tinha feito com Nicolle estava acontecendo mais uma vez. As semelhanças eram tão gritantes que tornavam irrelevante o fato de que ele havia premeditado o que tinha feito com a garota da Corvinal, ou que fossem namorados na época. Em instantes, ele havia ceifado (Seiphado talvez) toda a alegria de alguém, deixando algo que parecia vazio no lugar. Mas não era esse o fim do problema. Era o início. Coisas que Seph não entendia bem estavam acontecendo com ele naquele momento, e sentia-se incomparavelmente pior em relação ao que tinha acabado de fazer do que pelo que havia feito com Nicolle no passado. Isso significava que algo estava errado.

- Espera, podemos... - ele pretendia dizer "fingir que não falei essas coisas?" mas descobriu, imediatamente, que não era assim que funcionava. E isso só lhe fez sentir-se ainda mais perdido e sem saber como continuar. - Eu não me lembro de nada, e eu pensei que... - se continuasse, pioraria tudo com "você teria me enganado, por ser grifinória e de uma família desconhecida". Desse jeito era ainda pior. A frustração se escalonava dentro dele. Acabou girando o corpo, talvez pela simples necessidade de parar de olhar para o rosto dela enquanto chorava, mas acabou procurando imediatamente pela varinha. Esticou o braço e em uma fração de instante um suporte de vidro explodiu com um raio vermelho, no final da estufa. Mentalizou um palavrão, e antes mesmo de voltar-se mais uma vez para Evy ele já havia atirado a varinha alguns metros adiante. Mostrar agressividade era ainda pior do que as duas frases que ele tinha tentado logo antes. Simplesmente se desenhava, bem diante dele, um fato que parecia incontestável: tudo o que ele sabia fazer era ruim.

- Você pode, por favor, só parar de chorar? - Tentando não pensar mais, simplesmente porque nada de positivo estava saindo disso, Seph tinha avançado um pouco e tocado de leve com as suas mãos os braços de Evy, envolta do corpo dela. Ele não havia planejado isso, mas como se tocá-la fosse imensamente perigoso, ele sentiu o impulso de dizer: - Me desculpe.



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Re: 03/09 | Estufas de Herbologia - noite

Mensagem por Evelyn Salt em Dom Dez 19, 2010 6:16 pm

* Breakin' down and coming undone
It's a roller coaster kinda rush
And I never knew I could feel that much *


Seph havia mudado minha vida e contra essa afirmação, não existem dúvidas. O problema é que tudo entre a gente, inclusive as mudanças, acontecem tão rapidamente que eu mal consigo acompanhar esse ritmo vertiginoso. Se eu contasse nossa história para alguém, teria certeza que essa pessoa pensaria que eu estava ficando louca. Quero dizer, quem acreditaria que eu conheci o garoto ontem e que hoje nós já estamos casados? Quem acreditaria que, apesar de tudo favorecer para eu odiá-lo, eu começava a descobrir que cada vez mais me importava com ele? Nem pra mim, parte essencial da relação, isso faz muito sentido, imagine para quem está de fora... Mas, naquele momento, dentro das estufas de herbologia, tudo o que eu queria era provar para Seph o quanto ele estava sendo cretino comigo e as palavras saíam de minha boca antes que eu pudesse contâ-las, assim como aquelas lágrimas teimosas que ardiam dentro de meus olhos. A voz de Seph soava confusa:
- Espera, podemos...
Meus olhos estavam fixos nos dele e cheios de esperança. A frase dele sugeria uma solução para nossos problemas, mas infelizmente, não foi concluída. Seph voltou a ficar em silêncio, como se não valesse a pena colocar seus pensamentos em voz alta. Eu passei a mão por meus cabelos, perguntando a Merlin quando eu havia embarcado naquela loucura toda.

O garoto voltou falar:
- Eu não me lembro de nada, e eu pensei que...
Ele se interrompeu e eu me sentia impotente diante daquela reação. Eu não podia obrigá-lo a falar, na verdade eu nem sabia se queria ouvir o que passava pela mente dele. Era tudo tão confuso... Uma parte de mim pareceu se estilhaçar quando ele virou de costas. Por mais que ele merecesse tudo o que eu dissera, eu não aguentava saber que era a responsável por sua dor, por mais que eu tenha feito exatamente o contrário, eu nunca quis ferí-lo. Instintivamente, estendi a mão na direção do garoto, como se fosse impedí-lo de se afastar, mas novamente a recolhi. A última coisa que precisavamos naquele momento era de contato físico, só pioraria a situação. Estremeci quando Seph explodiu um suporte de vidro com um feitiço. Era uma atitude meio insana, mas eu confiava no garoto. No fundo, algo me dizia que ele nunca faria nada contra mim, mas mesmo assim, sua reação agressiva fez com que eu começasse a tremer.

As lágrimas embaçavam minha visão e eu mal percebi quando Seph jogou sua varinha para longe e voltou a se aproximar de mim:
- Você pode, por favor, só parar de chorar?
Quem dera eu pudesse obedecê-lo, mas não era algo que eu pudesse controlar. Ele avançou um pouco em minha direção e agora eu percebia a nossa proximidade. Ele estava tão perto que eu já conseguia ouvir sua respiração descompassada e, quando eu menos esperava, ele encostou suas mãos em meus braços. A pele dele na minha era, de alguma forma inexplicável, reconfortante e novamente eu senti um tremor percorrer meu corpo, mas dessa vez não tinha nada a ver com medo. As palavras dele ecoaram em minha mente:
- Me desculpe.
Não havia agressividade ou ironia ali e isso devia me tranquilizar, mas por algum motivo, ocorreu exatamente o contrário. Antes que eu entendesse o que estava fazendo, afundei meu rosto no peitoral do garoto e comecei a soluçar, como uma criança assustada que precisava de consolo. Mas não eram palavras que eu buscava, só queria o silêncio, o calor do corpo dele e a certeza de que ele estava ao meu lado.

Quando voltei a erguer o rosto, após alguns minutos, só haviam umas poucas lágrimas sobreviventes. Os braços dele ainda estavam ao meu redor e, se dependesse de mim, não precisariam mudar de posição tão cedo. Eu encostei minha testa na dele e respirei fundo:
- Eu sei que isso está sendo difícil pra você também. E, se você quiser... - eu não sabia porque estava propondo aquilo: - Nós podemos fingir pros outros que nosso casamento foi planejado e não acidental. Afinal, você tem um nome pra zelar e é como eu disse, eu nunca quis te prejudicar.
Eu me afastei um pouco dele, só para poder olhá-lo nos olhos. Não era a melhor saída, mas era a única que eu encontrara. Pra mim, estar casada ou não, não mudava nada. Se fosse um casamento de mentira, eu continuava livre e isso me bastava. Mas para Seph, era diferente. Havia os pais dele e toda aquela besteira de honrar o nome da família. Por mais que eu fosse uma grifinória, mestiça e cigana, seria pior ainda descobrirem que ele se casou enquanto estava bebado em uma rave destinada a trouxas. E, por mais que as circunstancias fossem bizarras, eu me via desejando passar mais tempo com ele. Eu só podia estar enlouquecendo...


Última edição por Evelyn Salt em Sex Jan 07, 2011 12:31 am, editado 1 vez(es)
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Re: 03/09 | Estufas de Herbologia - noite

Mensagem por Stephan Monaghan em Qua Dez 22, 2010 7:54 am

A única coisa positiva em todo aquele episódio era que ela ainda estava ali. Mesmo depois das coisas que Seph havia dito, depois do vidro explodindo e depois de sua incapacidade de consertar o que havia provocado, Evy ainda estava lá. O choro, por outro lado, estava acabando com o garoto, mais do que qualquer outra sensação que ele já tivesse experimentado em um espaço de tempo tão curto.

Seph não era um psicopata. Era capaz de sentir, e de julgar as consequências de suas próprias ações. Tinha sim, problemas com relação a empatia, uma vez que nao estava habituado a se preocupar com os sentimentos que suas decisões provocariam em outras pessoas. Naquele momento, ele sabia que havia sido injusto. Isso, por si, já seria o bastante para incomodá-lo. Mas o resultado havia sido bem mais grave, e ele sentia-se devastado. Era isso o que lhe confundia ainda mais, não entender porque aquilo estava acontecendo. Ou como havia chegado até aquele ponto.

O pedido para que Evy parasse de chorar foi atendido apenas pela metade. Enquanto a segurava, Stephan viu a menina esconder o rosto junto ao peito dele, e então chorar de forma ainda mais intensa. Não era exatamente o que Seph havia pedido, mas ele percebeu que agora ela estava, ao menos, confortada. E mais uma vez registrou o fato de que Evy não havia fugido dele, o que lhe deixava imensamente aliviado.

Seph completou o abraço, agora que Evy estava mais próxima e ele sentia que aquele passo era seguro, e talvez até o mais aconselhável. Antes, tinha medo de que o seu toque causasse respulsa na menina, em razão do que ele tinha dito. - Acho que sou mesmo detestável, isso está provado. Mas eu não queria ter sido, não desta vez. - ele disse, com a voz baixa já que estavam tão próximos. Não preocupou-se em esconder que estava sendo sincero. Completou beijando a cabeça de Evy.

Pouco depois, a menina levantou o rosto. Parecia mais calma, mas a expressão chorosa ainda causava um poderoso e estranho efeito em Stephan. Seus rostos estavam bem próximos quando ela falou, e Seph estava ouvindo com atenção e ansiedade. O que veio foi uma proposta, absurda, mas apenas na mesma medida da situação em que eles já se encontravam. Era lógica, no meio de toda aquela explosão emocional que havia tomado o ambiente em poucos segundos, e Seph decidiu que precisava se refugiar ali, naquela questão racional.
O que Evy sugeriu foi que emoldurassem aquele casamento louco em algo que parecesse mais razoável. Planejado. Tratar aquela união como um casamento de verdade. De certo modo, Seph sentia um certo alívio por perceber que não era o único a sentir que não poderiam apenas fingir que nada havia acontecido. Para ele, uma coisa era certa: o casamento era real, simplesmente porque poderia ser real... Já que ninguém sabia ao certo o que havia acontecido.

- Eu acho que isso... - começou a falar, tentando escolher as melhores palavras no meio de toda a confusão que estava se passando em sua mente. - Essa idéia, é o único jeito. Se eu contar exatamente o que aconteceu, estou morto. Se eu fingir que não aconteceu nada, e amanhã ou depois alguém aparecer com provas de que eu menti, estou morto também. - explicou, de uma forma que poderia servir tanto para ele quanto para ela. De certa forma, falar sobre aquilo estava ajudando a organizar as suas idéias.

Seph precisou de alguns instantes para continuar. Chegou a afastar-se um pouco de Evy, mas continuou segurando as mãos dela. Olhou ao redor por um momento, e então voltou a olhar para o rosto da menina, seu semblante bem mais fechado e sério. - Vamos mentir. Mentir funciona. Se alguém disser o contrário, é ele próprio um mentiroso. - ele disse, com um sorriso mínimo ao final. - Eu sou oclumente, nunca vão saber que menti. E você é uma ladra, também deve saber se virar com isso. - continuou, sem pretender qualquer ofensa, daquela vez, com o termo "ladra".

Novamente, Seph se afastou. Dessa vez chegou a soltar as mãos de Evy, e encostou-se em uma bancada. Estava convencido de que aquele seria o caminho. Uma parte dele sentia que todas as pessoas que ouviriam as suas mentias mereciam ser enganadas. Seus pais e seus amigos da alta sociedade, os seus colegas da Sonserina. Toda aquela gente vivia da mentira, sustentavam-se dela. Seph pretendia provar que poderia ser o melhor dentre eles.

- Vamos ter que armar algo grandioso. Mas pode ser feito. - aproximou-se novamente de Evy, e falava de uma forma mais empolgada. Uma solução, longe de ser perfeita mas ainda assim atraente num quadro de tão grave crise, desenhava-se em sua mente, e ele queria apresentá-la de uma vez. - Diremos que sua família descende de nobres da Romênia. Isso vai casar com sua origem cigana. - percebeu, tarde demais, o uso da palavra "casar", e isso o fez ficar em silêncio por um instante. - Óbvio, todos vão questionar que você esteja na Grifinória ou que familiares seus não frequentem a alta sociedade bruxa da Inglaterra. Não importa, existe um jeito pra isso também... Nossa história vai dizer que sua família atraiu o interesse do falecido Lorde das Trevas, e agora pretende não chamar atenção, pelo menos pelos próximos anos. Até que tudo volte ao normal.

Seph abraçou Evy mais uma vez. Por um lado, porque estava em um estado de alívio repentino que se aproximava de felicidade. Por outro, porque novamente passou a refletir. Estava impressionado com a idéia que havia surgido de repente, e agora parecia ter tudo para funcionar, quando ele a examinava. - Isso vai nos ganhar tempo. Em alguns anos podemos fazer milhares de coisas. Até um... divórcio. - concluiu, meio espantado. Nunca pensou que precisaria pensar em um divórcio nos próximos poucos anos...


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Re: 03/09 | Estufas de Herbologia - noite

Mensagem por Evelyn Salt em Sex Dez 24, 2010 2:27 am

* Now I'm trying to make sense
of what little remains *


- Acho que sou mesmo detestável, isso está provado. Mas eu não queria ter sido, não desta vez.
Ele tentava frequentemente ser detestável, mas não era, pelo menos não no meu ponto de vista. Seph conseguia, de alguma forma indescritível, fazer com que eu gostasse e me preocupasse cada vez mais com ele e parecia fazer isso sem qualquer intenção, quase por acaso. E, no fundo, era isso que me deixava irritada.
As palavras ditas segundos atrás não tinham mais importância. Seph e eu possuíamos um mesmo problema e não podíamos perder tempo atacando um ao outro, precisávamos mais do que nunca esfriar a cabeça e colocar as ideia no lugar. Tínhamos que achar uma saída e é claro que em tese tudo é muito bonito, mas na prática o choro estava atrapalhando meu raciocínio e me senti ainda mais confusa quando foram os braços dele e o beijo que ele deu no topo de minha cabeça, o que me acalmou.

Quando voltei a falar, apesar da expressão de choro não ter desaparecido por completo, estava decidida. Apresentei a Seph uma proposta um tanto louca e improvável. Mas, levando em conta a situação quase surreal em que nos encontravamos, essas características eram essenciais para o plano funcionar. Observei atentamente a expressão do garoto enquanto ele digeria minhas palavras. Antes mesmo do garoto falar, eu já achava que ele estava de acordo:
- Eu acho que isso... Essa idéia, é o único jeito. Se eu contar exatamente o que aconteceu, estou morto. Se eu fingir que não aconteceu nada, e amanhã ou depois alguém aparecer com provas de que eu menti, estou morto também.
Concordei com a cabeça, por mais que tivessemos motivos diferentes, nós dois estavamos encrencados e possuíamos consciencia disso. Ele fez menção de afastar-se e foi instintivo segurar as mãos dele com mais força, como se pedisse para ele manter-se perto. Seph recuou apenas o suficiente para conseguir colocar as ideias no devido lugar, eu sabia disso porque também comecei a refletir melhor quando nossos corpos se afastaram.

Seus olhos possuíam um brilho mais intenso quando encontraram-se novamente com os meus. Eu soube no mesmo instante, o garoto havia tomado sua decisão:
- Vamos mentir. Mentir funciona. Se alguém disser o contrário, é ele próprio um mentiroso. - Os lábios dele se repuxaram em um singelo sorriso e eu me senti mais aliviada. Era bom saber que havia um plano, um rumo a seguir: - Eu sou oclumente, nunca vão saber que menti. E você é uma ladra, também deve saber se virar com isso.
Sim, eu sabia. Não era a melhor mentirosa que Hogwarts já conheceu, mas sabia me fazer de inocente quando era necessário. Mas não dei nenhuma resposta e mal registrei que ele me chamara de ladra. Eu disse de forma perplexa:
- Eu não sabia que você era oclumente...
Certo, não sabia disso e de todo o resto da história dele. Agora que eu parara para refletir eu não sabia nem sua cor predileta. Não que isso tivesse alguma importância, mas quando se é criança você tem a ilusão de que no futuro você vai saber tudo da vida do seu marido e vice-versa. Bem, dei de ombros, eu já devia ter superado essa fase "conto de fadas".

Seph largou minhas mãos e deu alguns passos para longe. Um vazio tomou conta de mim e eu me senti novamente perdida. Ele, entretanto, parecia ter encontrado todas respostas:
- Vamos ter que armar algo grandioso. Mas pode ser feito. - ele voltou a aproximar-se e foi impossível conter o sorriso, por mais que a situação não fosse das mais felizes: - Diremos que sua família descende de nobres da Romênia. Isso vai casar com sua origem cigana. Óbvio, todos vão questionar que você esteja na Grifinória ou que familiares seus não frequentem a alta sociedade bruxa da Inglaterra. Não importa, existe um jeito pra isso também... Nossa história vai dizer que sua família atraiu o interesse do falecido Lorde das Trevas, e agora pretende não chamar atenção, pelo menos pelos próximos anos. Até que tudo volte ao normal.
Eu estava boquiaberta e completamente frustrada. Quero dizer, eu passo seis anos da minha vida tentando esconder minhas origens e me matando para criar explicações para minhas mentiras e ele resolve tudo em apenas alguns minutos? Ah! Ele era mesmo irritante! Antes de perceber o que fazia eu já perguntava, em tom de descrença:
- Você inventou toda essa história agora? - Balancei a cabeça, incrédula: - Nossa! Você me assusta!

Eu estava extremamente irritada com ele e nada do que ele fizesse, nada mesmo o redimiria. Então ele me abraçou e, bem... Eu esqueci da raiva no mesmo instante. Senti uma onda de alívio invadir meu corpo, eu tinha a sensação de que estava segura e, por mais que ela fosse falsa, era o que eu precisava naquela hora. Foi como se, de repente, o ar tivesse voltado aos meus pulmões. Fechei os olhos, completamente acalmada, quando Seph voltou a falar:
- Isso vai nos ganhar tempo. Em alguns anos podemos fazer milhares de coisas. Até um... divórcio.
A palavra me pegou de surpresa e eu estremeci, como se estivesse dormindo em um sono profundo e alguém tivesse me acordado de supetão. Ainda nos braços dele, balancei a cabeça e admiti:
- A ideia é boa, vai funcionar. Mas... Você tem noção de que nós vamos ter que conviver juntos durante anos? Tipo, 365 dias mais 365 dias e assim por diante?
Eu começava a suar frio só de imaginar. Afastei-me um pouco dele, afastei alguns vasos de plantas e me sentei sobre uma das bancadas. Indiquei um espaço ao meu lado, para ele se sentar e anunciei em tom mandão:
- Existem certas... - Abri aspas com as mãos: - ... "regras de boas convivências" que você terá que seguir para conviver comigo. Você vai ter que ir para o seu dormitória antes da meia noite, vai ter que passar o Natal e as outras datas festivas com a minha família, vai ter que passar pelo menos sete horas do seu dia comigo...
Interrompi aquela listagem imensa e pavorosa com uma descontraída risada. As lágrimas já haviam sumido de meu rosto e, então, revirei os olhos:
- Estou só brincando. Queria ver como eu me saía sendo uma esposa controladora. - Nós já tínhamos um plano e eu já me sentia bem novamente: - Agora falando sério, acho que a única regra que deve haver entre nós é não haver regra alguma. Não quero dever satisfações a ninguém, entende?
Eu nunca imaginara discutir sobre meu próprio casamento daquela forma, mas aqueles eram os fatos e eu precisava dançar conforme a música.
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Re: 03/09 | Estufas de Herbologia - noite

Mensagem por Stephan Monaghan em Sab Dez 25, 2010 6:17 am

Evy havia se acalmado. Poderia ter sido em parte pelo que Seph disse, e em parte pela racionalidade ter voltado ao diálogo deles, depois da proposta feita pela menina e desenvolvida e aceita por Seph. Ao menos para ele, encontrar um caminho racional dentro de uma situação era sempre uma forma de se acalmar. Não era a pessoa mais calculista do mundo, na verdade ele já havia ouvido críticas dentro da Sonserina por não ser frio o bastante. Ainda que as emoções que ele estava acostumado a demonstrar não fossem as consideradas "boas".

Mas a justificativa não era importante, Stephan contentava-se com o fato de que sua - isso era inacreditável - esposa grifinória havia parado de chorar. Fazia tudo mais fácil, agora ele até mesmo sentia que poderia olhar para algum outro lugar e preocupar-se com qualquer outra coisa. O que era bastante necessário, uma vez que sua vida tinha sido arruinada. A menos que ele pudesse encontrar uma saída, o que exigiria um episódio de genialidade muito maior do que qualquer outro que ele já tivesse protagonizado.

E o fato era que Seph realmente acreditava que havia conseguido. Estava prestes a aplicar um golpe histórico, e as vítimas seriam sua família e, de forma mais extensiva, toda a Sonserina. Isso lhe dava um estranho prazer. O garoto ainda estava dividindo sua energia mental entre as idéias que cresciam em sua mente e a atenção que prestava a Evy, na esperança de que ela se recuperasse totalmente do efeito das palavras injustas com que ele a havia bombardeado pouco antes. E Evy comentou sobre desconhecer a habilidade de oclumência de Seph, além de ter ficado espantada com toda a história que ele rapidamente havia criado, seguindo a sugestão dela.

- Sim, sou oclumente. É absolutamente impossível ler a minha mente. Fui interrogado depois daquele incidente com o irmão da Nicolle, e os coitados do Ministério perderam um tempo enorme, eu precisava me segurar para não rir na cara deles. - explicou, percebendo depois que não era o momento ideal para mencionar uma acusação de homicídio. Mas Seph gostaria de permitir que Evy conhecesse um pouco mais sobre ele. E a oclumência era o que ele tinha de mais único. - Sobre a história... eu cresci em um mundo de fingimento, um grande teatro. Eu posso ter inventado a história agora, mas estou pronto pra fazer isso desde que nasci. - concluiu, com um sorriso maldoso. Essa era a verdade, que ele não se importava muito em revelar. Nunca havia negado que não se importava com a verdade, mas sim com os resultados e lucros do que fazia. Foi criado para isso. E agora, ele sentia que estava prestes a dar uma verdadeira aula para aqueles que haviam sido seus professores.

Evy se afastou, arrumou um lugar melhor para sentar-se, e convidou Seph para sentar ao seu lado. Ele fez isso, e a ouviu, bem mais descontraída e aparentemente bem recuperada, já brincando sobre a situação deles, o casamento para valer. Ele sorriu, e virou-se para ela. - Agora que resolvemos tudo... estou pronto para isso. Estou até ansioso para visitar seus aposentos no palácio da sua família, minha princesa romena. - Tudo havia mudado em segundos. Stephan estava satisfeito, naquele momento. Depois do que disse, virou-se para Evy e a abraçou novamente e então a beijou, de verdade. De uma forma natural, como se não precisasse pedir permissão, já que estavam casados. - Sabe, mesmo que minha idéia não fosse muito boa, você é tão linda que ia ser fácil fazer qualquer um cair nessa história de nobreza. Só temos a ganhar. - concluiu, dando mais um beijo rápido e novamente sorrindo de forma maliciosa.

Sua última frase lhe soava cada vez mais verdadeira, conforme refletia. Não importava como aquilo acabaria, se seu golpe funcioanasse, ele já seria um mito entre as pessoas de seu sangue. Mesmo se sua família eventualmente descobrisse que havia sido enganada, precisariam dar o braço a torcer e reconhecer que Stephan era simplesmente o Monaghan que melhor usava os recursos que tinha.

- Precisamos melhorar isso, se seremos casados de verdade. - comentou, apontando para o anel que Evy usava, e levantando sua outra mão, que portava um igual. Levantou-se, e foi buscar sua varinha onde a havia atirado um pouco antes. Voltou e sentou-se novamente ao lado de Evy. Pegou na mão dela que usava o anel, com gentileza, e a apoiou em sua perna direita, enquanto colocava a sua própria mão livre ao lado da dela. Falou algumas palavras, enquanto passava a varinha por sobre os dois anéis de latão. Depois da quarta vez que a varinha passou, os anéis pareciam ser feitos de prata com alguns pequenos brilhantes, e ambos estavam quentes. - Parecem melhores agora. Mas prometo que vou comprar alianças que sejam boas o bastante, e sem precisar de transfiguração. - explicou, confiante de que aquilo seria o bastante para enganar ao menos os alunos de Hogwarts por algumas semanas. - Acrescentei o Feitiço de Proteu. Quando quisermos nos encontrar, basta apontar o anel com a varinha e o calor vai indicar que o outro está chamando. - completou, e sorriu novamente, de forma mais relaxada.

Foi então que Evy fez um comentário adicional, revendo sua posição e dizendo que o que pensava de verdade era que eles não deveriam dever nada um ao outro. Aquela exigência atingiu Seph como um projétil que viesse diretamente em sua direção. Logo percebeu que não gostava do que tinha ouvido. Mas culpou-se, já que ninguém o havia obrigado a falar em divórcio. - Eu entendo. - disse, simplesmente. E apontou novamente a varinha, que passou por sobre as mãos de ambos. Os dois anéis desapareceram. - Feitiço de desilusão, também pode ser útil. Para dar privacidade a cada um de nós. - explicou, num tom bem mais melancólico.
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Re: 03/09 | Estufas de Herbologia - noite

Mensagem por Evelyn Salt em Dom Dez 26, 2010 5:19 am

* Se foi um erro,
eu quero errar sempre assim... *


Eu não sei se já falei sobre isso, mas eu nunca conheci meu pai biológico e nem um homem que pudesse chamar de padrasto ou algo do gênero, então nunca soube como é uma vida conjugal. Acabo sendo limitada ao que vejo em filmes trouxas e aos relatos de outras pessoas, mas apesar de tudo isso, minha conversa com Seph enquadrava-se no que eu imaginava. O tom de voz acusador e prepotente havia desaparecido por completo e agora o garoto contava um pouco sobre suas experiências:
-Sim, sou oclumente. É absolutamente impossível ler a minha mente. Fui interrogado depois daquele incidente com o irmão da Nicolle, e os coitados do Ministério perderam um tempo enorme, eu precisava me segurar para não rir na cara deles.
Franzi a testa. Eu realmente acreditava na inocência dele quanto a isso. Não que conhecesse direito o caso ou que soubesse da existência de provas que inocentassem Seph. Entretanto eu sabia, de alguma forma injustificável, que ele não seria capaz de fazer as coisas horrorosas de que era acusado. Eu simplesmente sabia. Mesmo assim, devido ao nosso casamento, eu me sentia no dever de procurar saber mais sobre esse assunto. Passei a mão por minhas madeixas, incrédula. No que eu havia me metido?

Seph falou sobre ter sido criado para mentiras e eu me peguei temendo o dia em que teria que conhecer sua família. Sim, porque uma hora ou outra isso acabaria acontecendo. Senti um arrepio perspassar por minhas costas. O pouco que eu sabia da família Monaghan fazia eu ter a certeza de que não era, nem de longe, a noiva que eles escolheriam para Seph. Essa conclusão mexeu comigo, porque eu sei que, apesar dos pesares, ele é perfeito para mim e, entretanto, eu nem mesmo me enquadro nos padrões exigidos por sua família. Por essas e por outras é que eu odeio essas questões de sobrenomes importantes, honra e blá-blá-blá.

Algum tempo depois, após termos planejado melhor nosso futuro recheado de mentiras, ele voltou ao assunto família, mas dessa vez com um outro enfoque:
- Agora que resolvemos tudo... estou pronto para isso. Estou até ansioso para visitar seus aposentos no palácio da sua família, minha princesa romena.
Eu me sentia estranhamente alegre com a postura relaxada e brincalhona de Seph. Ele passou seu braço por minhas costas e me deu um beijo inesperado. A grande surpresa foi que eu retribuí sem estranhar tal ação. Tudo entre nós estava fluindo de maneira natural, como se estivessemos acostumados desde de sempre aquilo. Dei uma mordidinha no lábio inferior do garoto e disse enquanto afundava meu rosto em um dos ombros dele, em pose de envergonhada:
- Eu é que não estou ansiosa para conhecer sua família, Seph. A gente pode demorar bastante com isso, não é? Preciso de todo um preparo emocional antes.
Dei uma risada travessa. Se dependesse de minha vontade, o preparo demoraria meses, semestres inteiros quem sabe... Ele voltou a falar e eu levantei o rosto para encará-lo:
- Sabe, mesmo que minha idéia não fosse muito boa, você é tão linda que ia ser fácil fazer qualquer um cair nessa história de nobreza. Só temos a ganhar.
Ele roubou um beijo e eu sorri antes mesmo de tomar consciencia disso. Sim, ele estava completamente certo. Talvez não com a parte da beleza e da nobreza, mas com sua conclusão. Nós ganharíamos... tempo um com outro. Era uma vontade incontrolável que tomava conta de mim. Podia não ter sido nada planejado, mas eu gostaria de ter Seph ao meu lado.

Ele resolveu que deveríamos melhorar nossos anéis se queríamos dar credibilidade ao casamento. Foi pegar sua varinha e assim que voltou segurou minha mão e colocou-a sobre sua perna direita, ao lado da dele. Era impressão minha ou estava tremendo de nervoso exatamente como uma noiva faria na hora da troca das alianças? Balancei a cabeça com aquela ideia e pedi à Merlin para Seph não perceber a instabilidade de meus movimentos, seria no mínimo, ridículo. Até porque aquilo nem era um casamento de verdade, era só uma farsa. O tremor e os arrepios não desapareciam, por mais que eu repetisse isso para mim mesma mais de um milhão de vezes.
Foi com um sonoro "Aaah!" que eu vi nossos anéis aparecerem, feito de prata, com algumas pedrinhas brilhosas incrustradas. Elas pareciam ter efeito de imã sobre mim e eu continuava a olhá-las, enquanto ouvia a voz de Seph:
- Parecem melhores agora. Mas prometo que vou comprar alianças que sejam boas o bastante, e sem precisar de transfiguração. Acrescentei o Feitiço de Proteu. Quando quisermos nos encontrar, basta apontar o anel com a varinha e o calor vai indicar que o outro está chamando.
Parecia ter se tornado um hobby do garoto me surpreender. A ideia do Feitiço de Proteu era incrivelmente inteligente. Seria bem mais prático que uma coruja e me animava a ideia de poder chamá-lo a hora que eu quisesse, sem o conhecimento dos outros. Era simplesmente:
- Perfeito! - Eu sorria como uma criança que acorda e descobre os presentes embaixo da árvore em época de Natal. Eu ainda fitava meu anel: - Ele ficou lindo. É realmente...mágico!
Eu queria agarrar o garoto e nunca mais largá-lo. Não sabia porquê, mas era exatamente isso que eu queria. Mas, ao invés dessa reação eufórica, entrelacei nossas mãos, para apreciar o efeito de nossos anéis brilhando, em uma hipnotizante sintonia.

Foi então que eu consegui, com distinção e louvor, estragar tudo falando que não deveríamos prestar satisfações um ao outro. Na hora, pareceu a atitude correta, afinal era instintivo buscar um pouco de liberdade naquela situação. Mas eu não contava com a reação do garoto. Eu podia estar surtando de vez, mas ele parecia decepcionado:
- Eu entendo. Feitiço de desilusão, também pode ser útil. Para dar privacidade a cada um de nós.
Olhei para nossas mãos e os anéis haviam sumido. Eu balancei a cabeça e continuei a encarar o local em que eles estavam segundos atrás, como se apenas com minha reação inconformada eles pudessem ressurgir. Como aquilo não adiantaria, saquei minha varinha de dentro do bolso do meu shorts e passei-a sobre nossas mãos, fazendo nossas alianças brilharem novamente:
- Não, eu acho que não preciso e nem vou precisar disso por um bom tempo. - Suspirei e disse: - Não pretendo sumir por aí. Isso seria tão ruim quanto um casamento por acaso, sujaria seu nome do mesmo jeito.
Era isso então. Eu começara a criar desculpas para ser...fiel (?) Não fazia o menor sentido, como todo o resto. Resolvi me entregar de vez aquela loucura:
- Agora eu sou uma Monaghan, não é? Pretendo agir como uma. - Balancei a cabeça e admiti, quase contrariada: - Claro que não na maioria do tempo. Não vou conseguir ser tão sensata nem tão fria e também não quero deixar meu marido entediado.
Lancei uma piscadinha na direção do garoto e junto com ela, meu melhor sorriso. Eu já estava rodeada por mentiras, não precisava de mais uma. Sem qualquer tipo de aviso puxei-o pela gravata e dei início a um novo beijo. Dessa vez eu estava sendo sincera. Tomara minha decisão: eu queria ficar com Seph.

Spoiler:
Off.: É NATAAAL, GUII! Eu tinha que ser romântica *-* É meu espírito natalino se manifestando na Evy! HSAUHUHAS
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Re: 03/09 | Estufas de Herbologia - noite

Mensagem por Stephan Monaghan em Seg Dez 27, 2010 8:23 am

A menção ao modo como Stephan havia sido criado, ou talvez tivesse sido a menção ao fato de que ele era suspeito de um assassinato, fez com que Evy voltasse a mostrar desconforto. O garoto preocupou-se, e afastou-se um pouco do abraço para olhar nos olhos dela. Mas daquela vez Evy reagiu de forma bem mais controlada. Escondeu mais uma vez o rosto no corpo de Seph, e brincou sobre não ter pressa de conhecer sua família.

- Não se preocupe com isso, não ainda. Tem um monte de fatores... quando isso acontecer, se tudo der certo, eles vão estar envolvidos nas teias do nosso esquema, pensando que você é outra pessoa que eles adorariam. Além disso, algumas vezes as coisas acabam não sendo tão terríveis quanto se espera. Meus familiares são imensamente educados. Mesmo se não gostassem de você, não fariam um escândalo. Só tentariam intervir nos meus assuntos, de forma diabólica, depois que você saísse. - aquela era uma descrição mais próxima do estilo Monaghan de "maldades". Não eram o tipo que quebrava a porta com um chute e emendavam em um soco reto no nariz de sua vítima. Fossem assim, certamente teriam se juntado ao secto de "Comensais de Morte" que havia se espalhado por entre os bruxos de alta classe. E não foi o caso.

Quando Seph começou a alterar os anéis, Evy mostrou-se apreensiva, o que atraiu a atenção do garoto. Gostou da reação dela, parecendo importar-se com o resultado mais do que só pela necessidade de corrigir uma "falha no plano". E, de fato, quando a versão aprimorada dos anéis apareceu diante deles, Evy sorriu e elogiou, como se estivesse maravilhada. O que tornava confuso para Seph o verdadeiro significado do alerta que a menina havia lançado pouco antes, sobre não haver compromisso entre os dois.

Mas então, de uma forma bem mais coerente com as reações que vinha demonstrando, Evy rejeitou a idéia de desolusionar os anéis, desfazendo o feitiço com sua própria varinha. E o que disse em seguida fez com que Seph se animasse novamente. - Não se preocupe, vou cuidar de você. - falou, sobre a afirmação dela de que não garantiria ser sempre sensata. - Agora é um dever, né? - continuou, levantando a mão com o anel. - E eu pretendo cumprir.

Foi então interrompido por um novo beijo, que Evy começou depois de puxá-lo. Seph a abraçou e continuou a beijar, enquanto lhe passava pela cabeça que tudo havia acabado imensamente diferente daquilo que ele tinha planejado. No dia anterior, havia "combinado" com a menina que se encontrariam pelos cantos de Hogwarts, sem que ninguém os visse nem soubesse de nada. Agora, ele tinha um anel que deixava claro para todos o que estava acontecendo.

- Sabe, acho que não tinha uma chance em um bilhão de que eu fosse resolver me casar com você. - comentou, quando finalmente se soltaram. Falou de uma forma calma e casual, para não causar nenhum novo sobressalto na menina. - Ainda assim, foi o que aconteceu. E agora temos um plano a seguir até descobrirmos como resolver tudo. Mas enquanto isso não acontecer, a verdade é essa. - mostrou, mais uma vez, a mão com o anel. - Não importa o que aconteça, isso aqui é para valer. É assim que funciona para mim. - o que era a verdade, embora ele a estivesse acabando de descobrir. Seph nunca havia planejado se casar, e nem mesmo pensado sobre o assunto.

Tudo o que sabia vinha das coisas que havia aprendido enquanto crescia, e dos conceitos que havia formado ao longo da vida. E numa relação entre duas pessoas, casamento era o compromisso máximo em qualquer escala. Não deveria ser muito diferente de ter um filho: ele não poderia lançar a criança no Lago Negro apenas por saber que teria estado bêbado quando ela foi concebida.

Os pensamentos estavam ficando muito complicados, e Seph preferiu abraçar Evy e a beijar mais uma vez. Era melhor ficar com a parte boa do casamento. - Bom, tenho medo de perguntar, mas quanto antes, menos pior... - fez uma pausa, depois começar a falar após o beijo. Pretendia aliviar um pouco toda a carga emocional que os acontecimentos haviam trazido. - Você sabe se aconteceu mais alguma coisa louca, ontem? Sério, que tipo de lugar era aquele?! - continuou, forçando uma expressão de espanto ao final, e então afastou-se um pouco, apenas para apontar um dos dedos para Evy. - Você está proibida de ir a esse tipo de festas de hoje em diante! - sentenciou, tentando fazer uma cara séria, mas falhando. - Estou brincando... eu acho!

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Re: 03/09 | Estufas de Herbologia - noite

Mensagem por Evelyn Salt em Ter Dez 28, 2010 7:42 pm

* I know what's happening here
One minute it's love
And suddenly ,
It's like a battlefield... *

Quanto mais ele falava, menos eu gostava da família Monaghan. Encontrava-me dividida entre querer ser aceita e temer a mesma coisa. Por mais que eu quisesse agradar os parentes de Seph, eu não gostaria de me enquadrar nos padrões deles. Simplesmente porque eles pareciam superficiais demais para mim. Outra coisa começava a martelar em minha cabeça e eu tive que deixar bem claro a situação:
- Seph, eu já vou avisando... Eu me recuso a aprender as regras de etiqueta. É inútil saber fazer uma reverência e conhecer a função de cada talher. Quero dizer, eu sempre usei só um garfo, uma faca, uma colher e um copo e nunca morri de fome. Pelo contrário, sou bem saudável!
Dei um soquinho brincalhão no braço do garoto, só para dar mais veracidade ao que eu tinha dito anteriormente. Então perguntei, franzindo o nariz, completamente contrariada:
- Você acha que vai ser necessário?
Eu sentia um arrepio só de pensar no tédio que eu sentiria em cada aula, mas talvez fosse preciso. Tudo o que eu podia fazer era torcer pelo contrário.

Após a mudança na aparência das alianças, meu sonserino favorito disse que cuidaria de mim dali em diante. Como ele mesmo disse, agora era seu dever, mas era encantador saber que ele estava disposto a cumprí-lo. Não me parecia nem um pouco ruim a ideia de ter um protetor divertido e bonitão ao meu lado sempre que eu precisasse. Nós nos beijamos como se fosse natural ocorrer aquele tipo de coisa entre nós e, levando em conta que estávamos unidos pelo matrimônio, era mesmo. Ainda estava com uma das mãos em sua nuca quando ele comentou:
- Sabe, acho que não tinha uma chance em um bilhão de que eu fosse resolver me casar com você. Ainda assim, foi o que aconteceu. E agora temos um plano a seguir até descobrirmos como resolver tudo. Mas enquanto isso não acontecer, a verdade é essa. Não importa o que aconteça, isso aqui é para valer. É assim que funciona para mim.
Eu não podia concordar mais com ele. Entre todos os meus planos, sonhos e projeções para os próximos anos, eu nunca considerara um casamento. Na verdade, eu nunca nem cogitara um namoro sério. Mas as alianças em nossos dedos comprovavam que aquilo havia acontecido e era pra valer. Nós éramos pra valer.

Ele me abraçou e me beijou novamente antes de perguntar o que estava lhe incomodando sobre a noite anterior. Dei risada quando ele me proibiu de ir em novas raves de brincadeira e depois ficou realmente na dúvida se aquela era uma boa ideia. Preferi começar respondendo a primeira pergunta:
- O que você chamou de "aquele lugar", é na verdade uma rave. - Aquilo não explicava muita coisa, então concluí satisfeita: - Bom, eu chamo de "pura diversão"! Você é só careta e cabeça-dura demais pra admitir que também curtiu...
Mostrei a língua para ele e ri divertida:
- Mas não se preocupe que sua esposa está traumatizada demais para voltar a ir em uma dessas tão cedo.
Claro que eu não mencionei o detalhe de que consigo superar traumas como esse com extrema facilidade e provavelmente quando me convidassem para outra rave, eu seria incapaz de negar. Mas Seph não precisava saber disso, pelo menos não por enquanto...

Voltei a falar, enquanto balançava meus pés para frente e para trás:
- Respondendo a pergunta sobre coisas loucas... Sim, aconteceram várias! Summer fez uma tatuagem com uns dizeres bizarros e eu ganhei uma coroa de princesa. - Fiz uma careta martirizada ao lembrar da tal coroa: - E existiam mais grampos para prendê-la do que fios de cabelo na minha cabeça. Foi horrível!
Suspirei, pelo menos agora meus cabelos estavam livres novamente. Então dei um tapa em minha própria testa:
- Já estava me esquecendo! Eu voltei com um biquini que nem era o meu. - Arregalei os olhos e disse em pose de suspense: - Vai saber o que aconteceu.

Foi quando voltei a olhar pra Seph que uma nova ideia surgiu. Eu tinha me casado com ele e voltado com outro biquini. Quero dizer, ele podia ser o responsável por aquilo. Corei no mesmo instante:
- Seph, você acha que nós...? Sabe como é... Será que a gente...?
Eu gesticulava freneticamente, apontando de mim para as calças do garoto. Sim, eu era realmente ruim em mímica, mas Seph era esperto o suficiente para entender a insinuação. Talvez nós tivéssemos dormido juntos! Sem saber porque, eu estava brava novamente:
- Olha aqui, Stephan Monaghan, se você fez alguma gracinha enquanto eu estava inconsciente de meus atos, eu juro que vou... que vou...
Jogar spray de pimenta nos seus olhos? Dar um chute certeiro no seu "amiguinho" (lê-se: aquilo que ele tem entre as pernas)? Te arremessar na direção daquela planta carnívora sedenta de fome que se encontrava no fundo das estufas? Não, definitivamente eu não estava inspirada para vinganças hoje. Como não queria assumir isso em voz alta, concluí em tom ameaçador, com o dedo em riste encostado no peitoral dele:
- Eu não vou te contar meus planos senão você teria tempo pra se defender. Mas eu garanto que eles são bem cruéis.
Pois é, havíamos voltado à estaca zero. De pombinhos apaixonados, voltáramos a nos transfigurar em gato e rato.
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Re: 03/09 | Estufas de Herbologia - noite

Mensagem por Stephan Monaghan em Ter Jan 11, 2011 3:52 am

Evy estava preocupada com etiqueta, algo que não parecia nenhum grande obstáculo para Stephan. Os modos dela eram bem aceitáveis de acordo com o que ele já tinha visto. E era normal que ela estivesse confusa e exagerando um pouco. - Com esse corpo, tenho certeza de que os instrumentos que você usa foram suficientes pra te nutrir muito bem. - comentou, de uma forma natural. - Também não uso nada além disso. Se alguma coisa não pode ser consumida com esses objetos que você citou, então não é comida para mim. Eu apenas comeria alguma outra coisa mais fácil. - concluiu, com um movimento da cabeça que sugeria dispensar a questão de etiqueta. - De qualquer modo, nem todas as pessoas ricas são tão frescas. Eu posso ser o vilão preconceituoso, mas talvez você também não seja muito informada sobre o tipo de família da qual eu venho. - explicou, lembrando-se um pouco das coisas em sua casa. Os pais eram mais conservadores do que ele, e até um pouco frescos sim. Mas aceitavam os hábitos mais razoáveis de Seph como sendo algo das "novas gerações". - Desde que você não coma com as mãos, vai conseguir sobreviver. - brincou, sabendo que ela não faria aquilo. A abraçou e beijou novamente, de forma rápida. Teria usos melhores para o tempo dela do que aulas de etiqueta. Até porque não era possível saber quanto tempo aquele casamento duraria. Era melhor aproveitar a parte boa ao máximo.

A menina então explicou um pouco sobre a festa em que tudo havia acontecido. Seph lembrava-se que aquilo era chamado "rave", mas isso não dizia nada, uma vez que o evento era totalmente diferente daquilo que ele havia imaginado quando tentou decifrar o significado usando um dicionário. A explicação também não esclareceu muito, e Seph decidiu deixar para lá, sabendo que sua cabeça já estava muito cheia e confusa com o casamento para tentar assimilar muita coisa sobre a tal festa. Já era bom saber que ela, ou eles, não precisariam ir a outra tão cedo.

Mas a parte em que Evy relatava os outros episódios bizarros da rave logo atraiu toda a atenção do rapaz. Alguém chamada Summer, um nome que ele desconfiava que poderia ter ouvido em algum ponto da noite anterior, tinha ganhado uma tatuagem... mais simples que uma aliança, ainda que Seph achasse tatuagens algo abominável e cafona. E Evy havia ganhado uma coroa. - Óbvio, você casou-se com O REI! - exclamou, quase instantaneamente. - Devia ter desconfiado que eu era seu marido desde que notou a coroa, né. - concluiu, com um ar presunçoso.

Muito mais louca foi a parte seguinte da história, sobre um bikini trocado. Que festa louca! Evy começou a se agitar logo depois de citar aquele incidente, enquanto Seph raciocinava por alguns intantes, optando pela lógica pura e simples ao perceber que lembranças não viriam mesmo. - Bom, não tenho nada a ver com essa parte do seu problema, porque eu não me lembro de nada, mas ainda assim posso afirmar com certeza que eu não estava usando um bikini ontem.

Riu um pouco quando terminou de falar e continuou tentando imaginar aquilo tudo. Sorriu de uma forma maldosa ao ver nascer um pensamento bastante malicioso. - Talvez tenha sido outra garota... bom, eu não vou dizer nada. Mas se você gostar desse tipo de coisa... esse casamento pode acabar sendo muito divertido! - quando notou que havia atropelado o que Evy dizia, e que ela continuava a se exaltar, Seph percebeu tarde demais que não era um momento ideal para ser um canalha insinuando que ela gostava de garotas.

Evy já estava quase em cima dele, com os dedos apontando de forma ameaçadora para o peito de Seph. Ela parecia estar convencida de que mais coisas teriam acontecido. - Como é? Se acha que eu posso ter me aproveitado de você então vamos voltar para onde estávamos quando você chegou aqui, porque eu acho que você pode muito bem ter se atirado em mim, isso sim! - reclamou, com um tom um tanto indignado. E afastou-se um pouco, encostando novamente em uma das bancadas e livrando-se do dedinho ofensivo dela. - Mas eu não me preocuparia muito, de qualquer forma. Não acho que consumamos esse casamento doido. - continuou, passando uma das mãos pelo cabelo, como se arrumá-lo fosse necessário para manter alguma coisa em ordem naquele caos.

Nem ele entendia bem a garantia que estava dando. Se tinha esquecido um casamento, poderia esquecer quase qualquer outra coisa. Mas simplesmente sentia que não tinham ido além, achava que teria um mínimo de lembranças, se fosse o caso. - Nós vamos ter que sair daqui em pouco tempo, então acho que é uma idéia idiota ficarmos brigando, ainda mais por coisas que fizemos sem ter nenhum controle. No mínimo, deveríamos deixar isso para depois, problemas não vão faltar. Não precisamos criar todos eles agora. - concluiu, tentando uma trégua.

Logo em seguida, teve uma idéia. - Estou pensando aqui... essa Summer. Ela é tão louca quanto nós ou será que poderia ajudar em alguma coisa? Será que ela não sabe de algo mais? Talvez se ela nos visse juntos, poderia se lembrar de alguma coisa. É a única pista que temos! - falou, de forma um pouco acelerada conforme se convencia de que aquele era um bom próximo passo. - Onde podemos achar a garota da tatuagem?


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Re: 03/09 | Estufas de Herbologia - noite

Mensagem por Evelyn Salt em Seg Jan 17, 2011 11:51 pm

* Nobody said it was easy
No one ever said it would be this hard... *

Seph explicava sobre como sua família agia. Eles eram pessoas refinadas que se preocupavam com elegância, bons modos e educação. Se eu estava absorvendo a ideia certa, parecia bem simples entendê-los. O garoto amenizou todas minhas preocupações:
- Desde que você não coma com as mãos, vai conseguir sobreviver.
Mostrei a língua para ele, fazendo pose de ofendida. Eu nunca faria aquilo! Bom, só se o prato servido contivesse batatas fritas. Mas isso é óbvio, porque todo mundo normal sabe que as batatinhas ganham um sabor todo especial quando comidas com as mãos... Não, não é verdade, estou só brincando. Eu nunca usaria as mãos com essa utilidade na frente de um Monaghan e Seph parecia saber disso, pois logo me abraçou e me beijou, deixando claro que tudo não passava de uma piadinha. Revirei os olhos depois de corresponder ao beijo, ele era ou não era irresistível?

Em pouco tempo eu estava narrando os acontecimentos da noite passada com um misto de empolgação e perplexidade. Assim que mencionei a coroa que ganhara, o Sr. Engraçadinho disse que eu logo devia ter desconfiado que ele era meu marido, pois eu me casara com um rei. Retruquei:
- Só se for O rei da modéstia, não é?
Queria continuar parecendo realmente séria, mas acabei rindo. Estiquei-me no balcão e depositei um beijinho na bochecha dele. Queria que ele soubesse que não era nada pessoal, eu só não pude resistir ao ar presunçoso dele.

Assim que citei o incidente com meu biquini, uma ideia perspassou minha cabeça. E se eu e Seph tivessemos ido além de beijos na noite passada? Não sei dizer exatamente onde está o problema nisso, levando em conta que agora eu tinha uma aliança bem sólida brilhando na minha mão esquerda. Mas de alguma forma essa possibilidade me irritou. Talvez meu estresse tivesse alguma ligação com o fato de eu não me lembrar de nada. O que era, no mínimo, bem triste. O que importa é que Seph garantiu que não tinha nada a ver com aquilo, pois com certeza não estava usando biquini na noite passada. Eu franzi as sobrancelhas. Eu esperava, com toda minha alma, que nem na noite passada nem em nenhuma outra! Por Merlin! Mas ele não entendera meu raciocínio. Ele podia ser o responsável só por eu ter tirado o biquini e, depois, talvez na hora de ir embora, alguém já tivesse pego o meu e eu achara mais fácil fazer o mesmo com o de outra garota. Não me espantava a ideia de que várias pessoas tivessem tirado a roupa naquele lugar, era bem...provável.

Eu continuei acusando e apontando o dedo para Seph, mal ouvindo a sugestão maliciosa dele sobre eu ter me "divertido" com outra garota. Sorte a dele que meus gritos eram super potentes e abafavam todo o resto. Não que eu tivesse algum tipo de preconceito contra quem gosta desse tipo de coisa, mas com todo o respeito, meu lance é outro.
A voz indignada do garoto fez com que eu pulasse na bancada, em sobressalto:
- Como é? Se acha que eu posso ter me aproveitado de você então vamos voltar para onde estávamos quando você chegou aqui, porque eu acho que você pode muito bem ter se atirado em mim, isso sim! - Ele se afastou e, no mesmo instante, eu abaixei meu dedo acusador. Seph ainda tinha essa ideia na cabeça? Deixei-o continuar: - Mas eu não me preocuparia muito, de qualquer forma. Não acho que consumamos esse casamento doido.
Sem total consciencia disso, aproximei-me novamente dele. Não fazia sentido continuar gritando feito uma doida. Ele não lembrava de nada, eu também não, então que diferença fazia se tivesse ou não contecido? Suspirei. Afinal de conta, o que em toda aquela história fazia sentido? Era tudo recente e insano e eu me sentia completamente confusa. Metade de mim queria ignorar tudo que fora dito, cancelar aquele casamento, socar Seph e nunca mais olhá-lo novamente. Já a outra metade queria seguir o plano, dar veracidade ao casamento, beijar Seph e nunca mais tirar os olhos dele. Eram metades bem antagonicas e eu acabava oscilando entre uma e outra, como se estivesse sobre uma corda bamba sem saber se caía ou continuava de pé. Resumindo: uma grande droga.

A voz de Seph voltou a preencher o silêncio incômodo que surgira a alguns segundos:
- Nós vamos ter que sair daqui em pouco tempo, então acho que é uma idéia idiota ficarmos brigando, ainda mais por coisas que fizemos sem ter nenhum controle. No mínimo, deveríamos deixar isso para depois, problemas não vão faltar. Não precisamos criar todos eles agora.
Já estava perto o suficiente para tocá-lo e foi exatamente isso o que fiz. Com apenas uma mão, um toque demorado e intenso em seu braço direito. Fiquei de frente para ele e minha voz já estava muitas oitavas mais baixas, estava normal e sincera:
- Acho que você vai ter que me desculpar por ser metade do tempo histérica e na outra metade, uma completa idiota. - Meus olhos estavam fixos nos dele e eu precisava me concentrar para não perder o raciocínio: - Eu não faço por mal, é só força do hábito... - Eu sorri, brincando e novamente voltei a falar em tom sério: - Vou parar com isso, eu realmente quero que a gente se entenda e consiga conviver numa boa.
Eu olhei mais uma vez pra ele e admiti sorrindo enquanto descia minha mão de seu braço para sua mão:
- O engraçado é que parece que, pelo meu lado, vai ser extremamente fácil.
Era verdade, por mais que ele pudesse achar difícil me aturar, o contrário era bem mais simples. Seph sabia ser irritante e grosso quando queria, mas na vida é assim, só existem dois tipos de pessoas. As chatas que você não suporta e seus amigos e namorados/ficantes/maridos, que são nossos chatos prediletos. Sorri, era bem melhor conversar sem estar ameaçando ou acusando-o de algo.

Um pouco depois, ele perguntou:
- Estou pensando aqui... essa Summer. Ela é tão louca quanto nós ou será que poderia ajudar em alguma coisa? Será que ela não sabe de algo mais? Talvez se ela nos visse juntos, poderia se lembrar de alguma coisa. É a única pista que temos!
- Ela é mais louca que nós. - Admiti, com prontidão. Então hesitei e concluí, sorrindo um pouco ao lembrar da sardenta: - Na verdade ela consegue ser mais louca que nós dois juntos! E ela não se lembrava do meu marido hoje a tarde, quando conversamos sobre isso. Mas... Talvez se ela nos vir juntos... Pode ser uma boa ideia.
- Onde podemos achar a garota da tatuagem?
- Agora provavelmente ela está no dormitório da Grifinória, que é onde eu também deveria estar. - Sorri, já era bem tarde: - Vamos deixar as apresentações e as perguntas para amanhã, Seph, afinal ela merece um descanso depois daquela rave. Todos nós merecemos!
Passei a mão por minhas madeixas e puxei-o em direção a porta das estufas. Quando já estavamos do lado de fora, apaguei as luzes com a varinha e disse para meu novo marido:
- Precisamos dormir, amanhã é o começo da nossa... - Disse com relutância: - ...vida de casados.
Por alguns segundos eu fiquei em silêncio, sentindo o impacto daquelas palavras. Então admiti, enquanto começava a caminhar de mãos dadas com ele rumo ao Castelo:
- Estamos metidos em uma grande, grande, grande droga. Mas vamos superar, a gente sempre supera bonitão...
Eu estava mais preocupada tentando me convencer do que o contrário.

Spoiler:
Off.: Ações da Evy finalizadas =]


Última edição por Evelyn Salt em Qua Jan 19, 2011 3:18 pm, editado 1 vez(es)
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Re: 03/09 | Estufas de Herbologia - noite

Mensagem por Stephan Monaghan em Qua Jan 19, 2011 5:39 am

Não ia ser fácil. Isso já estava claro, por exemplo, por Seph poder observar as alterações rápidas no humor e comportamento de sua recém descoberta esposa. Ela era capaz de ir de um momento carinhoso e animado para consideráveis chiliques sem motivos muito lógicos, acompanhados de um comportamento que chegava a ser agressivo. Stephan não podia culpá-la. Ele também estava confuso e fora de seu equilíbrio e frieza habituais, embora reagisse de forma um pouco diferente da dela, o que era óbvio em razão das diferenças naturais entre os dois.

Merlin, até mesmo a palavra "esposa" era um sinal de quanto tudo aquilo estava fora dos eixos. A palavra não encaixava com Evy, era velha demais para ela. Por esposa, ele poderia imaginar uma senhora pomposa e ocupada com mil afazeres entediantes ou, na melhor das hipóteses, uma jovem (mas bem menos do que ele ou Evy) mulher cheia de si por estar iniciando uma família e conquistando seu lugar na sociedade adulta. Evy não era nada daquilo. Ele era melhor, felizmente.

Seph voltou a prestar atenção na menina e apenas dispensou com um sorriso malicioso o título de rei da modéstia. Aceitou novos beijos e carinhos dela, logo antes do último episódio de alteração, quando ela começou a questionar sobre o que os dois teriam feito no dia anterior. Não fazia sentido, mesmo que tivesse acontecido alguma coisa, se estavam casados, aquilo nem seria abusar dela.

Mas Evy logo demonstrou que tinha recuperado seu controle, o que talvez tenha acontecido com alguma ajuda de Seph, que também não tinha exagerado demais em sua reação daquela vez. Ele gostou da forma como ela o tocou, pegando sua mão logo depois de se desculpar. - Você não é idiota. - ele respondeu, simplesmente, percebendo que havia deixado em aberto a possibilidade de que ela fosse "um pouquinho histérica". Apertou um pouco a mão dela e a abraçou. - Vamos encontrar um jeito. - falou, sobre o bom convívio dos dois. - Não pode ser tão difícil ser casado, qualquer idiota consegue se casar e viver assim, então alguém como eu deveria ser capaz de tirar de letra. - explicou, com sua lógica pessoal não muito escrupulosa.

Aproximou mais a sua cabeça da dela, beijou o pescoço da menina algumas vezes, antes de continuar. - ... e se não conseguirmos, eu sempre posso envenenar você, e me tornar viúvo! - provocou, mas então se afastou um pouco, segurando-a pelos braços e olhando para os seus olhos. - Estou brincando, juro que nunca faria isso! - não faria mesmo, não com ela. Na verdade, Seph sabia que mesmo se planejasse fazer mal a ela, com um plano elaborado, desistiria de tudo quando a olhasse. Aquele efeito que ela causava lhe deixava de certo modo desconfortável e abria uma série de perguntas, mas era a verdade.

Ambos sabiam que precisavam sair dali, deixar as estufas e voltar para o castelo e então para suas camas, que estavam no plural porque não seriam a mesma. O que era péssimo. Mas antes Seph perguntou sobre a tal Summer, e recebeu uma resposta que lhe fez rir. Se era mais louca que os dois, era difícil imaginar o caos que poderia estar a vida daquela menina. Devia estar noiva de um Hipogrifo, ou algo pior. E Evy tinha razão, obviamente, não havia tempo para mais nada naquele dia, precisariam conversar com a menina depois.

Enquanto deixavam o local, Evy voltou a falar sobre o convívio dos dois e o que os esperava para o resto de suas vidas, ou seja lá o quanto fosse durar aquele casamento. Concordou com ela sobre a superação acenando com a cabeça. - O que é ainda mais uma grande droga é que a vida é totalmente injusta. Com todos os problemas que teremos, eles deveriam no mínino nos dar um bom quarto privativo com uma cama de casal... saco. - resmungou, enquanto caminhava para fora, de mãos dadas com Evy, após ela fechar as estufas.


Spoiler:
Finalizado.





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Re: 03/09 | Estufas de Herbologia - noite

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